Igreja

2010/02/25

Falarei ao teu coração

Santo Anselmo escreveu:

“Deixa por um momento as tuas ocupações habituais, ó homem; entra um instante em ti mesmo, longe do tumulto dos teus pensamentos. Põe de parte os cuidados que te apoquentam. Entrega-te uns momentos a Deus. Descansa por algum tempo na Sua presença. Entra no íntimo da tua alma. Remove tudo, excepto Deus o que te possa ajudar a procurá-Lo. Encerra as portas da tua casa e procura-O no silêncio.”

O profeta Oseias que fala de Deus com palavras de muita beleza, põe estas palavras na Sua boca como dirigidas a cada um de nós:

“AO DESERTO TE CONDUZIREI  E FALAREI AO TEU CORAÇÃO”

Os Cristãos, durante estes quarenta dias, deitam contas à vida para verificar se estão no caminho certo que leva à felicidade perfeita. Talvez seja necessário alguma inversão de marcha para retomar o caminho da virtude que conduz a Deus, a nossa meta final.

C.I.

Escrito por Pedro Manuel at 13:52 | Link permanente | Comentário (0) |

2010/02/17

Mensagem para o 56º Dia Mundial dos Leprosos

A celebração do Dia Mundial dos Leprosos é uma nova oportunidade para reflectirmos e, connosco, a comunidade em geral, sobre a difícil situação em que vivem milhões de pessoas afectadas pela doença de Hansen – a Lepra.
A Lepra é uma doença infecciosa crónica, caracterizada por um largo período de incubação (vários anos), que se manifesta sobre todo o sistema nervoso periférico e sobre a pele. Afecta uma reduzida proporção de indivíduos “susceptíveis” e apresenta um espectro clínico muito amplo conforme a resposta imunológica de cada paciente.
O bacilo responsável pela doença foi identificado em 1873, pelo médico norueguês, Dr. G.H.Armauer Hansen e, até à actualidade, não foi possível cultivá-lo artificialmente, pelo que não existe uma vacina eficaz para a sua prevenção.
Considerada como castigo divino desde os tempos bíblicos, a Lepra tem sido motivo de exclusão e isolamento social para milhões de pessoas que a têm sofrido, e continua, em parte, a ser assim nos nossos dias.
Na verdade, grande número de pessoas sofre os efeitos da doença, da marginalização e da fome, devido à pobreza, à indiferença e ao abandono.
Actualmente existe tratamento e cura para a doença, mas as carências económicas, a miséria e a ignorância impedem os doentes de disporem dos meios necessários para o efeito.
Apesar dos esforços dos serviços oficiais e do empenho de muitas O.N.G.s, promoverem o tratamento e cura de largos milhares de Leprosos em cada ano, a pobreza, a fome e a falta de higiene fazem aparecer anualmente cerca de 400/500 mil novos casos de Lepra, dos quais 10% são crianças e jovens, em vários países onde a doença é endémica.
Raoul Follereau, o Apóstolo dos Leprosos do século XX, dedicou mais de 50 anos da sua vida ao tratamento e cura, à dignificação e à reabilitação dos Leprosos, pelo que a sua Mensagem mantém perfeita actualidade, empenhando-se a APARF e tantas outras O.N.G.s na divulgação e realização da sua mensagem a favor desta causa tão nobre e tão humana.
A APARF colabora com meios humanos e financeiros na realização de dezenas de projectos de tratamento e cura de vários milhares de Hansenianos. É agradável tratar e curar, mas é desolador ver que há tantos doentes onde não se pode chegar com o tratamento, portanto, não se podem curar.
A existência de milhões de doentes impõe-nos a reflexão e a obrigação de disponibilizarmos algo do nosso supérfluo, e, quantas vezes do nosso essencial, para partilharmos com estes seres humanos, nossos semelhantes, que nada têm para além da esperança que alguém os ajude, de modo a poderem participar da dignidade reconhecida a todos os membros da sociedade.
Então, pela riqueza do nosso coração, poderemos dizer, com Raoul Follereau: “Ser feliz é fazer os outros felizes”.
(Agência Ecclesia)

No último Domingo de Janeiro de cada ano, é celebrado o Dia Mundial dos Leprosos, o qual foi instituído pela ONU, em 1954, a pedido de Raoul Follereau, o Apóstolo dos Leprosos do século XX.

Escrito por Pedro Manuel at 19:16 | Link permanente | Comentário (0) |

Jornadas de actualização do Clero da Província Eclesiástica de Évora

Os Presbíteros das três Dioceses do sul do País, Évora, Beja e Faro, reunidos com os seus Bispos, nos dias 25 a 28 de Janeiro deste Ano Sacerdotal, em Montemor-o-Novo, nas jornadas de actualização do clero promovidas pelos Instituto Superior de Teologia de Évora, em número de setenta, tendo participado também cerca de dez diáconos, reflectiram, partilharam e rezaram em conjunto, tendo, no final dos trabalhos, chegado às seguintes conclusões:

1. Num mundo marcado pelo neo-iluminismo racionalista e relativista; numa sociedade, como a portuguesa, em que tarda a implantação de reformas no campo social, económico e político, gerando instabilidade e confusão; os padres assumem que o essencial continua a ser o anúncio e o testemunho do amor de Jesus Cristo.

2. Ao longo da história da Igreja, o paradigma do padre não foi sempre igual e derivou da própria noção da Igreja. Hoje, reconhecemos que o paradigma do pastor, à maneira do Bom Pastor, que é Cristo, se deve desenvolver no serviço à comunidade, emergindo a figura do padre como homem de Deus e mistagogo da experiência cristã.

3. É no dinamismo das mediações que se pode compreender o ministério presbiteral: o padre é alguém chamado por Deus e enviado para o serviço da comunidade para que o mundo creia e seja salvo (ver Jo 3,17-18). Tanto o ministério episcopal como o presbiteral procedem do próprio Cristo e a relação entre o Bispo e o Presbítero há-de entender-se a partir desta comum origem e igual finalidade, que é o bem de todo o Povo de Deus.

4. Analisando a maior parte dos textos do Novo Testamento, surpreende a ausência de vocabulário sacerdotal para se referir à mediação de Cristo. Mas o autor da carta aos Hebreus apresenta-nos uma teologia do sacerdócio de Cristo, que rompe com as concepções do Antigo Testamento: Cristo é Sumo Sacerdote porque “se assemelhou em tudo aos seus irmãos” (Heb 2,17), ao contrário dos sacerdotes da Antiga Aliança que o eram por separação dos restantes membros da comunidade. Assim sendo, os sacerdotes à maneira de Cristo são os que são possuídos de uma imensa misericórdia ao estilo do Bom Pastor, e que guiam as comunidades porque se dispõem a ir à frente no seguimento de Cristo.

5. Exercemos o nosso ministério presbiteral numa Igreja que se compreende a si mesma como comunhão de todos os membros do corpo de Cristo, e onde a comunhão hierárquica, ao estilo do pastor, confere à própria comunhão uma figura própria: o presbítero está em comunhão com o bispo, com os outros presbíteros e todos os fiéis. Daqui resulta que, a primeira missão do presbítero é construir a comunhão, começando pela comunhão com o bispo e com os outros presbíteros, exigida pelo sacramento da Ordem.

6. Os presbíteros aqui presentes, quer os que pertencem ao clero dito religioso, quer ao secular, afirmam que a complementaridade e a diferença é um enriquecimento para a vida da Igreja e que, nos tempos que correm, a necessária criatividade no campo da pastoral pode brotar desta diferença e ser um sinal do dinamismo da Igreja.

7. Nesta época de mudança cultural e de diminuição do número de sacerdotes, a missão do padre continua a ser considerada nuclear para as comunidades cristãs. E a pastoral vocacional, tarefa de toda a Igreja enquanto comunidade de chamados, depende muito do testemunho e do acompanhamento espiritual prestado pelo sacerdote.

8. Os leigos esperam que o sacerdote seja testemunho do amor de Cristo, homem culto, ao mesmo tempo compreensivo no meio das dúvidas e corajoso nas adversidades. Os sacerdotes que estiveram presentes nesta semana de actualização puderam manifestar estes propósitos, e partilhar a alegria e a felicidade de ser padres. Hoje, como no dia da sua Ordenação, continuam firmes nos seus projectos. 

Montemor-o-Novo, 28 de Janeiro de 2010


Escrito por Pedro Manuel at 18:58 | Link permanente | Comentário (0) |

2010/01/26

Eleição

Não têm conta as histórias graciosas sobre Bento XIV. A sua perspicácia era subtil e aguda.
O Conclave que se seguiu à morte de Clemente XII (Fevereiro de 1740) foi um dos mais difíceis porque os "candidatos a papa" eram muitos . Os "eminentíssimos" estavam reunidos há seis meses sem conseguirem pôr-se de acordo.
Foi mesmo Lambertini a pôr fim a tanta demora, dizendo meio a sério, meio a brincar: "Se quiserem um santo, nomeiem Gotti; se preferirem um político, nomeiem Aldrovandi; se, além disso, quiserem um homem de bom humor, nomeiem-me a mim!".
Os Cadeais olharam-no perplexos.
É um facto, porém, que retirando-se, pensaram em nomeá-lo exactamente a ele. Lambertini tinha dito aquelas palavras para ser espirituoso. Pensava em tudo, menos em ser eleito papa.
Vendo o respeito com que o Cardeal Rohan foi ter com ele, percebeu os seus propósitos e suspirou: "Ai! Estou perdido! Esse ar tão composto anuncia-me que pensam roubar-me a liberdade!". E assim foi.~
Lia Carini Alimandi
Assin Sorriem os Santos
Escrito por Pedro Manuel at 13:44 | Link permanente | Comentário (0) |

2010/01/21

Nota Pastoral do Bispo de Aveiro condena acto de violência contra sacerdote

Nota Pastoral

 Presença e testemunho

1.
Na tarde do passado sábado, dia 16 de Janeiro, o Padre Manuel Marques Dias, sacerdote da Diocese de Aveiro, foi assaltado e agredido na sua casa, no lugar de Cristelo, na vila e paróquia da Branca, Albergaria-a-Velha, onde reside com uma sua Irmã. 

Este acto de violência, sem qualquer sentido nem razão, magoa-nos a todos, como cidadãos, como irmãos na fé, como membros do presbitério e como Igreja que somos.

Estive com o Padre Marques Dias e com a sua Irmã logo que tive conhecimento. Aí encontrei o seu Pároco, os seus familiares e vários membros da Comunidade cristã, num belo testemunho de presença solidária. 

Agradeço a presença e o testemunho de todos os que desde o início o acompanharam dedicadamente, em casa e no Hospital. 

Não estranhei a serenidade do Padre Marques Dias, em momento tão difícil da sua vida. Quantos o conhecem e sobretudo aqueles que o tiveram como pároco, ao longo de cinquenta e cinco anos de vida sacerdotal, sabem da simplicidade da sua vida, dada por inteiro e em tudo ao serviço de todos, com verdade, despojamento e generosidade.

Foi no caminho de regresso da Visita Pastoral à paróquia de S. Lourenço do Bairro, onde ele foi pároco durante oito anos, na década de sessenta, e aí é recordado com afecto e gratidão, que tive conhecimento do que lhe acontecera. Transmiti-lhe esta gratidão que dá sentido à vida, alivia o sofrimento e ilumina com o brilho da luz e com a beleza do ministério sacerdotal as horas mais difíceis.

2.
Acontecimentos como estes são, certamente, mais frequentes do que imaginamos. Ninguém está a salvo daqueles que não respeitam as pessoas nem os bens. 

Nada, porém, justifica o que aconteceu aqui com um irmão nosso, como nada explica o que vai acontecendo um pouco por todo o País. Os idosos, os indefesos e os pobres sentem-se cada vez mais sós, inseguros e vulneráveis. 

As portas sempre abertas como a da casa do Padre Marques Dias, que abre as portas da casa como sempre abriu as portas da vida, do ministério e do coração a todos os vizinhos e paroquianos, não legitimam a violência e as portas fechadas de tanta gente não lhe servem de barreira. 

A crise social por que passamos não deve justificar todos os desvarios. O problema é mais fundo e por isso mesmo mais doloroso e difícil. O valor da dignidade humana, a importância da educação para os valores, o respeito sagrado pela vida, o espírito saudável e feliz da vida de família são feridos e beliscados sempre que alguém os esquece ou ignora. 

Todos somos chamados a ser educadores na escola de uma cidadania alicerçada em valores inalienáveis e perenes. O País deve preocupar-se mais com esta prioridade.

3.
À Igreja não pertence julgar os agressores. Confiamos à Justiça, o direito e o dever de o fazer. 

À Igreja pertence, isso sim, juntar à tristeza destes acontecimentos, a compaixão cristã por quem sofre e por quem ofende e não abdicar da tarefa contínua de educar para os valores sagrados e invioláveis das pessoas, das famílias e das comunidades. 

Exige-se dos cristãos um trabalho incansável e um testemunho corajoso de fé e de vida, que nos leve a ser fermento evangélico de um mundo novo, justo e fraterno. 

Sentimos que essa é a força da nossa fé e aí se exprime em cada acto humano, em cada tempo e em cada cultura a ética cristã inspirada no mandamento novo de Jesus Cristo. 

+ António Francisco dos Santos
Bispo de Aveiro

Escrito por Pedro Manuel at 16:44 | Link permanente | Comentário (0) |

Bispo de Aveiro condena agressão a padre

Na Nota Pastoral «Presença e testemunho», D. António dos Santos considera que idosos e pobres sentem-se cada vez mais sós e inseguros

O bispo de Aveiro, D. António Francisco dos Santos, classifica o assalto e a agressão ao P. Manuel Marques Dias, ocorrida no passado Sábado, como um “acto de violência, sem qualquer sentido nem razão”.

Depois de agradecer o “belo testemunho de presença solidária” que a comunidade cristã dedicou ao sacerdote de 85 anos, o prelado denuncia o sentimento de insegurança que afecta a população mais carenciada e desprotegida.

Na Nota Pastoral intitulada “Presença e testemunho”, o bispo de Aveiro considera que “nada (…) justifica o que aconteceu aqui com um irmão nosso, como nada explica o que vai acontecendo um pouco por todo o País”. “Os idosos, os indefesos e os pobres sentem-se cada vez mais sós, inseguros e vulneráveis”, constata.

Para D. António Francisco dos Santos, “a crise social por que passamos não deve justificar todos os desvarios”.

O presidente da Comissão Episcopal Vocações e Ministérios sublinha que é necessário dar mais atenção aos valores na formação das novas gerações.

“O problema – refere o documento – é mais fundo e por isso mesmo mais doloroso e difícil. O valor da dignidade humana, a importância da educação para os valores, o respeito sagrado pela vida, o espírito saudável e feliz da vida de família são feridos e beliscados sempre que alguém os esquece ou ignora.”

Neste sentido, “todos somos chamados a ser educadores na escola de uma cidadania alicerçada em valores inalienáveis e perenes. O País deve preocupar-se mais com esta prioridade”, indica o bispo de Aveiro.

“À Igreja não pertence julgar os agressores. Confiamos à Justiça, o direito e o dever de o fazer”, escreve D. António dos Santos. “À Igreja pertence, isso sim, juntar à tristeza destes acontecimentos, a compaixão cristã por quem sofre e por quem ofende e não abdicar da tarefa contínua de educar para os valores sagrados e invioláveis das pessoas, das famílias e das comunidades.”


(in Agência Ecclesia)
Escrito por Pedro Manuel at 16:43 | Link permanente | Comentário (0) |

Mudanças sociais e eclesiais pedem novos padres

Formação laical, maior oração e disponibilidade sacerdotal são algumas conclusões do Congresso Internacional sobre o presbítero «À Escuta da Palavra»

As novas realidades sociais exigem novas formas de ser padre. A rápida mudança na sociedade e na Igreja exige “claramente novos modos de organização da vida eclesial e novos estilos diversificados de exercício do ministério presbiteral”. Esta é uma das conclusões do Congresso Internacional sobre o Presbítero «À Escuta da Palavra», que encerrou esta sexta-feira em Braga.

“Os caminhos a percorrer e as decisões a tomar”, para fazer face a estas mudanças, “hão-de ser procurados, em comunidade, na escuta atenta da Palavra”, refere o documento final de conclusões.

Mais de 300 sacerdotes e cerca de 30 leigos estiveram reunidos em Braga durante três dias para reflectir sobre o presbitério e as mudanças eclesiais e sociais a que são chamados.

Os sacerdotes reflectiram que a sua acção não pode estar orientada para “o número, para o êxito”, mas deve ter em conta a disponibilidade para ser enviado “em nome de Deus e da Igreja”.

A necessidade de o padre ser um homem de Deus foi apontada durante os três dias do encontro. A ocupação e as muitas tarefas a que os sacerdotes são chamados a responder foi um dos temas recorrentes. O texto de conclusões indica que o padre “tem de ser um homem de Deus, um mistagogo que conhece o mistério de Deus, o vive em comunhão, o celebra e o comunica com entusiasmo e alegria”.

Para ser um homem “de Deus”, o sacerdote precisa de procurar tempos de formação e oração. As mudanças rápidas exigem que o sacerdote tenha “uma formação superior à média” e possa “responder com propriedade aos desafios completamente novos dos nossos dias”.

A disponibilidade para “ouvir e atender, acompanhar e aconselhar” é uma exigência que os leigos fazem aos sacerdotes.

A reflexão do Congresso fez incidir sobre os leigos uma maior responsabilidade. O padre deve “dedicar tempo à formação dos leigos, não só para que a sua fé seja cada vez mais esclarecida e luminosa, mas para que desempenhem, com verdadeiro espírito missionário, as múltiplas tarefas que lhes são próprias: na família, na sociedade e na Igreja”.

Sobre a formação dos seminários, o Congresso considerou dever “acolher com benevolência os candidatos e saber exigir, com docilidade e firmeza, uma formação humana, espiritual, pastoral e cultural muito sólida, ancorada ainda no compromisso da formação permanente”.

O saber comunicar foi outra das exigências feitas. Na era da comunicação os sacerdotes devem ter uma “séria formação” nesta área.

“Comunicar é serviço; não é protagonismo”, manifestou o Congresso Internacional, acrescentando ainda que “sobretudo na eucaristia”, os sacerdotes devem procurar ser “curtos, concisos e cobrir os pontos essenciais”.


(Agência Ecclesia)
Escrito por Pedro Manuel at 16:25 | Link permanente | Comentário (0) |

Igreja deve criar «vita comunis»

Teólogo alemão pede reconfiguração das paróquias e comunidades no Congresso Internacional «À Escuta da Palavra»

O teólogo alemão Gisbert Greshake afirmou que a Igreja tem de caminhar no sentido da instituição de uma «vita comunis» entre os seus presbíteros, à imagem das primitivas comunidades cristãs. No terceiro dia do Congresso Internacional «À Escuta da palavra», o teólogo alemão referiu que “as paroquias deviam dar lugar a centros espirituais, ao jeito de mosteiros beneditinos alargados, e a entrega das comunidades locais à presidência de leigos”.

Na conferência «As transformações actuais na Igreja e o Ministério Presbiteral», Gisbert Greshake criticou a acção pastoral orientada para o resultado, para “o número, a quantidade e a eficiência”. Ao invés, Greshake projectou uma Igreja na qual a “práxis produtiva dá lugar a uma práxis da realização, gratuita e amorosa”, “tal como alguém que oferece flores num gesto aparentemente inútil porque aparentemente nada produz."

Também da parte da manhã, D. Jean-Louis Brugués, secretario da Congregação para a Educação Católica da Santa Sé sustentou que o rigor da formação nos seminários deve ser atravessado pela virtude da benevolência.

O secretário da Congregação Vaticana, na conferência « Alguns desafios a sublinhar neste ano sacerdotal», sustentou a necessidade de “clima de confiança instalado em cada diocese entre o bispo e o responsável pela formação dos seminaristas, sendo que o primeiro é, em todo o caso, o responsável primeiro e último por essa formação”.

A esta formação rigorosa na benevolência, referiu, “não pode ser alheia a personalidade acolhedora dos responsáveis do seminário. Isto até porque os candidatos ao sacerdócio, na variedade dos seus perfis, não devem sentir que estão a ser julgados, mas acolhidos como filhos”.

“Não podemos esperar um florescimento das vocações enquanto o rosto do padre não for redefinido”, acrescentou depois, afirmando ainda que o sacerdócio já não enfrenta o monstro do passado (o ateísmo), mas algo de mais subtil, como a indiferença e a perda generalizada do gosto pela vida.

Miguel Miranda

(Agência Ecclesia)

Escrito por Pedro Manuel at 16:16 | Link permanente | Comentário (0) |

2009/12/02

Sociedade desligada do mundo prisional

De um modo generalizado, a sociedade “não está muito envolvida na problemática das prisões, nem da prevenção do crime, nem da ressocialização, nem do apoio às vítimas, nem do apoio e ajuda às famílias dos reclusos, como também não está muito sensibilizada para uma verdadeira justiça restaurativa ” – disse o Pe. João Gonçalves, coordenador nacional da pastoral penintenciária/prisional aos participantes do I Congresso da Pastoral Social.
Subordinado ao tema «Intervir na sociedade, hoje! Memória e projecto», este iniciativa promovida pela Comissão Episcopal da Pastoral Social decorre em Fátima de 9 a 11 deste mês. Na sua intervenção, o sacerdote da diocese de Aveiro apela para que a sociedade não fique “indiferente ou apenas a observar onde as coisas podem ir parar; muito menos numa posição de crítica destrutiva ou permanente condenação daquilo que se faz ou não faz”.
Perante estas citações citadas, o Pe. João Gonçalves sente a “urgência de que, em todas as dioceses, se institua uma comissão ou secretariado diocesano da pastoral penitenciária” que ficaria dependente do Departamento da Pastoral Social. As paróquias não podem ficar alheias destas questões e deverão ter “um serviço que reflicta estas problemáticas e tende as melhores respostas”.
Os estabelecimentos prisionais deverão ter também grupos de voluntários católicos, ligados ao capelão, “para que sejam uma voz forte e clara da presença da igreja servidora, junto dos que sofrem”.
No nosso país, o número de pessoas envolvidas em processos de execução de penas ou a cumprir medidas privativas de liberdade, “ultrapassa os onze mil”. Depois de apresentar estes números, o coordenador nacional da pastoral penintenciária/prisional sublinha que só servindo estas pessoas em situação de sofrimento, a Igreja dá “visibilidade ao Mandamento do amor, nosso «cartão de visita»”.
(Agência Ecclesia)
Escrito por Pedro Manuel at 22:16 | Link permanente | Comentário (0) |

"Sursum corda!"

A Eucaristia , em lugar de matar a sede da presença de Deus, aumenta-a e torna-a mais pungente. (...)
Deste modo, a Eucaristia exprime a própria natureza da existência cristã sobre a terra. É o momento privilegiado em que a Igreja experimenta a sua condição de "viandante", de alguém a caminho. Ela é o "alimento dos viajantes", o sacramento do êxodo que continua, o sacramento pascal, ou seja, da "passagem". Na introdução ao prefácio da Missa, ressoa desde os primitivos tempos da Igreja, o grito "Sursum corda!", "Corações ao alto!" Santo Agostinho comenta: «Toda a vida dos verdadeiros cristãos é um "sursum cor".
O que significa ter o "coração ao alto? Significa ter a esperança em Deus. Quando ouvis o sacerdote dizer: "Sursum corda!", vós respondeis: "Habemus ad Dominum!", "O nosso coração está em Deus!" Fazei com que seja verdade o que respondeis.»
"A Eucaristia, nossa santificação"
Raniero Cantalamessa

Escrito por Pedro Manuel at 22:13 | Link permanente | Comentário (0) |